Clube do diploma

A valente FENAJ (Federação Nacional dos Jornalistas) e o bravo Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo, nossos queridos representantes de classe, emitiram uma brilhante nota oficial sobre a morte do jornalista Luiz Carlos Barbon Filho, assassinado a tiros em um bar em Porto Ferreira. Barbon denunciou vereadores que exploravam sexualmente adolescentes da região. Com a reportagem “Corrupção de menores”, publicada em seu jornal “Realidade”, concorreu ao Prêmio Esso de Jornalismo, em 2003.

Pois bem. E o quê os dois órgãos escreveram? Escreveram que, inicialmente, era preciso exigir o esclarecimento e punição dos responsáveis, mas que Barbon, “apesar de se auto-intitular jornalista, não o era de fato e de direito. O jornal Realidade, de sua propriedade, foi fechado pois nunca esteve regularizado e Barbom (sic) Filho não possuía o registro de jornalista, tendo sido, inclusive, processado por exercício ilegal da profissão.”

E segue dizendo ainda que “Para a realização plena dessas condições básicas de liberdade, os jornalistas têm um papel fundamental a cumprir. Isso é óbvio. Mas é doentio pensar que todo cidadão, para poder exercer esses direitos, deva se arvorar à condição de jornalista.

Essa nota é que é doentia. O cara denuncia um bando de vereadores safados, depois é assassinado a tiros e o sindicato ainda tem a coragem de dizer que ele não era jornalista de fato e de direito, porque não tinha o tal do deploma? De fato, ele era, sim, um jornalista. E aposto que muito melhor do que os fenajistas e sindicalistas.

Dá nojo desse povo. São asquerosos e repugnantes. E ainda recebem e sobrevivem do imposto sindical, que todo ano o governo retira dos jornalistas registrados em carteira. Gostaria muito de saber o que faz esse povo da Fenaj e que se diz jornalista com maiúscula, com diploma e a puta que pariu.

Que sindicalismo mais estúpido e sem noção. Só faltou dizer que a culpa pela morte do cara era dele mesmo, pois não tinha o diploma. Qualquer bunda-mole pode ter um diploma de jornalista. Um diploma não faz o jornalista. Será que esse povo é tão burro pra perceber isso?

(Em maio de 2007)

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