Economista é conservador?

A questão é boa: estudar economia faz as pessoas serem mais conservadoras? Greg Mankiw, professor de economia em Harvard, respondeu esta pergunta de uma estudante.

A tradução é do Pedro Dória no Weblog do Nomínimo:
Creio que a resposta, de certo modo, sim. Minha experiência é que muitos estudantes percebem que estão mais conservadores após estudarem economia. Há pelo menos três razões relacionadas.

Primeiro, em alguns casos, estudantes começam com uma visão utópica de política pública onde um governo benevolente pode resolver os problemas. Uma das primeiras lições da economia é que a vida é cheia de trocas. Esta percepção, quando completamente resolvida, faz com que muitas visões utópicas fiquem menos atraentes. Quando você percebe que há uma troca entre igualdade e eficiência, como chamou atenção o economista Arthur Okun, muitas decisões de políticas públicas ficaram mais difíceis.

Segundo, algumas das sacadas da economia fazem de qualquer um mais respeitoso perante o mercado como mecanismo de coordenação da sociedade. Como os participantes do mercado são motivados pelo próprio interesse, é natural que as pessoas suspeitem de sociedades baseadas no mercado. Mas após compreender sobre os ganhos do comércio, a mão invisível e a eficiência de equilíbrio do mercado, qualquer um passa a ver este mercado com um certo grau de admiração e, até, profundo respeito.

Terceiro, o estudo de políticas públicas faz com que os estudantes reconheçam que a realidade política em geral se desvia das esperanças idealistas. Muito da redistribuição de renda, por exemplo, é direcionada não aos que precisam mas sim àqueles com poder de pressão política.
Por estas razões, muitos estudantes que fazem cursos introdutórios de economia ficam mais conservadores – ou, para ser mais preciso, mais liberais no sentido clássico. Mas o estudo de economia não determina a ideologia política de ninguém. Conheço bons economistas que são de centro-direita e muitos que são distintamente de centro-esquerda. Aqui no meu departamento em Harvard, eu diria que os democratas são maioria.

(Em dezembro de 2006)

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