O meu Pasquim

Para efeitos de comparação, o Pasquim foi a nossa New Yorker. Um fenômeno nos anos 1970. Mesmo sem grana por trás, fez história no jornalismo brasileiro. Lançou e consagrou, vamos dizer assim, jornalistas e cartunistas que hoje são cultuados (ohh…): Paulo Francis, Ziraldo, Jaguar, Ivan Lessa, Millôr Fernandes, Fortuna, Henfil etc. O time era bem mais eclético, escreviam também escritores, músicos e cineastas – como Vinicius de Morais, Caetano Veloso, Chico Buarque, Glauber Rocha, Dalton Trevisan, Antonio Callado, Rubem Fonseca, Carlos Heitor Cony etc.

Lançado em 1969 com 20 mil exemplares semanais, um ano após o endurecimento (ui) do regime militar, o Pasquim chegou aos 200 mil no seu auge. Fizeram fama da publicação não só o time de colaboradores, mas também as antológicas entrevistas (feitas em grupos , regadas a álcool e editadas com muita coloquialidade) – sendo a mais famosa a da atriz Leila Diniz, pontuada de palavrões, que eram substituídos por asteriscos. Senão me engano, o velho Pasca acabou em 1982.

Bom, falo tudo isso porque saiu recentemente pela editora Desiderata uma seleção de páginas do jornal, feita por Jaguar e Sérgio Augusto. “O Pasquim – Antologia 1969-1971” reúne material dos 150 primeiros números. Ainda não comprei, mas com certeza comprarei – assim que tiver alguma grana, pois o livro custa R$ 69 (352 págs.). Mas acredito que valha a pena.

Em 2001, Ziraldo e seu irmão Zélio resolveram ressuscitar o cadáver. Óbvio que foi um fracasso, mas durou bastante, até – a última edição circulou em 2004. Comprei os primeiros números, mas depois de um tempo cansou – aquele bando de velhos falando bem do governo Lula me dava engulhos. Além de tudo, alguns números eram bastante chatos. E as entrevistas… ahh, melhor nem comentar.

Se eu fosse fazer hoje um jornal alternativo decente, um filho do Pasquim, aqui está a minha lista de colaboradores:

Ivan Lessa (de Londres), Alexandre Soares Silva, JP Coutinho (de Portugal), Millôr Fernandes, Reinaldo Azevedo, Sérgio Augusto, Arthur Dapieve, Mario Sergio Conti, Xico Sá, Dorrit Harazim, Paulo Polzonoff Jr., Tutty Vasques, Pedro Doria, Dalcio Machado, Flávio Rossi, Angeli e Adão Iturrusgarai.

Paro por aqui, não sem antes deixar o link para o livro. Clica.

(Publicado em março de 2006)

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