A história da guerrilheira holandesa das Farc

Tanja Nijmeijer era uma jovem e idealista holandesa quando resolveu largar sua confortável e tranqüila vida para se tornar uma guerrilheira das Farc, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia.

Em 2001, após concluir sua graduação em letras com especialização em espanhol na Holanda, ela decidiu retornar à Colômbia, onde havia passado um ano em um programa de intercâmbio. Seu objetivo era fazer trabalhos humanitários. Acabou conhecendo as Farc e se tornou uma guerrilheira. A guerrilheira Eillen.

Tanja-Eillen virou notícia pois um diário seu foi descoberto após um ataque do exército colombiano ao acampamento coordenado por Carlos Antonio Lozada, dirigente das Farc. No momento do ataque, Tanja tomava banho e não teve tempo de recolher as suas coisas. Um computador pessoal de Lozada também foi deixado pra trás. O conteúdo do diário foi revelado pelo jornal “El Tiempo” (aqui).

No diário, a guerrilheira mostra profunda decepção com a organização do movimento. “Estou cansada das Farc, cansada dessa gente, cansada da vida em comunidade e de nunca ter nada só pra mim. Que tipo de organização é essa em que alguns têm dinheiro, cigarros e doces e os demais têm de mendigar? (…) Uma organização onde uma garota com peitos grandes e rosto bonito pode desestabilizar um comando que havia trabalhado junto por muito tempo. Onde temos que trabalhar todo dia, mas os comandantes falam merda. (…) Não quero mais blábláblá sobre ser comunista, honesto, não desperdiçar, ser obediente. E logo ver quão hipócritas são os comandantes… e sem misericórdia se alguém atreve-se a criticá-los”.

Tanja diz também que os guerrilheiros precisavam pedir permissão até para namorar. “Consegui um ‘amigo’ e combinamos de ele ir conversar com o chefe para permitir que namorássemos”, ela escreve. Os líderes do movimento acreditam que relacionamentos entre guerrilheiros atrapalhariam a luta.

Mas a regra, é claro, não é válida para eles: “A mulher de um comandante é uma classe à parte. Elas têm privilégios e, às vezes, nos dão ordens.”

“Hoje há festa. É claro que os comandantes e suas esposas tiveram sua própria festa privada. Os demais, a tropa, guerrilheiros regulares, os de baixo se permitirá terminar a bebida que eles não puderam tomar ontem”.

Ela diz mais: “Cheia das FARC, dessa gente, da vida em comunidade, cheia de não ter nada para mim. Tudo valeria a pena se eu soubesse porque estamos lutando, mas eu não creio em nada mais”. “Como será quando chegarmos ao poder? As mulheres dos comandantes em Ferraris, com silicone nos seios, comendo caviar?”

Ela reclama da arrogância, da hipocrisia e do machismo dos líderes. Diz que há dois companheiros com AIDS, talvez muitos mais. Ninguém usa preservativo, ela diz. Conta que quer ligar pra casa, mas não pode. Um dia, ela liga, sem permissão. “Agora só posso esperar meu castigo. A todos é permitido ligar, menos a mim. Não é ridículo? Talvez me deixem na selva para sempre, ou talvez no me permitam sair a missões fora depois deste pecado venial”.

“Às vezes, quero deixar de seguir ordens. Seguir ordens de um monte de machistas que tratam de matar passarinhos com rifles. Além do mais, tenho que me sentir como um nada o dia inteiro; que não tenho utilidade, e que tenho que fazer o que qualquer idiota me diga ou ser multada. Cada vez tenho mais multas”.

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) dizem-se uma organização político-militar de inspiração marxista-leninista que combate as classes dominantes do país. Segundo o governo, as Farc têm hoje cerca de 11 mil combatentes.

Na rápida pesquisa que fiz, vi alguns duvidando do diário, sugerindo que ele seja uma mentira plantada pelo governo colombiano. Eu sinceramente duvido muito disso. A história da jovem idealista que quer lutar por um mundo melhor e vai pros cafundós do Juda lutar é bastante crível. Infelizmente.

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3 respostas para A história da guerrilheira holandesa das Farc

  1. pedro disse:

    porque é bastante crível? achismo?

    e porque não seria crível o diária ser uma mentira plantada pelo governo colombiano?

  2. Rodrigo disse:

    Onde está a guerrilheira holandesa hoje? Seria interessante ouvir estas declarações de sua própria boca, não? O diário pode ser bastante crível e bastante não crível, a depender da posição de quem o avalie!

  3. Breckenfeld disse:

    “Diário holandês é piada de mal gosto com as FARC”.

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