As Farc perderam

É impressionante como se diz bobagem sobre o resgate de Ingrid Betancourt e outros 14 reféns. Eu mesmo corro o sério risco. Mas dizer que as Farc ganharam alguma coisa com a libertação (“simpatia” ou algo do tipo) e que Álvaro Uribe, presidente da Colômbia, não obteve uma baita vitória pra mim é bobagem.

Não acredito ter havido o tal pagamento de vinte milhões de dólares ao comando das Farc. Dinheiro por dinheiro, as Farc teriam preferido o de Hugo Chávez, que já vinha tentando a libertação de reféns. Chávez é muito mais ligado ao grupo guerrilheiro e com certeza usaria uma possível libertação para tentar se colocar como “libertador” e “conciliador da paz”.

Agora, não duvido da hipótese de ter havido suborno entre o baixo clero do grupo. Mas isso não tira os méritos do Exército colombiano. Jorge Castañeda, no Estadão deste domingo, fez a melhor análise sobre a questão: “Pode ter havido outrs elementos, principalmente por conta da fragmentação da guerrilha. Dinheiro, recompensa, traições internas, tudo por ter ocorrido. Mas, se ocorreu, é porque as Farc já estão enfraquecidas. Já existe um clima de derrota resultante dos golpes recebidos nos últimos meses. Se houve traição, foi por causa desse desmantelamento. De qualquer modo, o sucesso tem a ver com o avanço do Exército. Não devemos negar-lhe esse mérito.”

Agora, Uribe cairá na tentação de mudar a Constituição do país (via referendo) e tentar se reeleger pela terceira vez. A opinião pública lhe dá mais de 90% de aprovação. É tentador dizer que Uribe deveria continuar, tamanho o sucesso na condução de políticas contra a violência e no desmantelamento das Farc, junto aos EUA no Plano Colômbia; mas essa perpetuação no poder não seria bom caminho para a democracia. Vide Hugo Chávez na Venezuela.

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